segunda-feira, 17 de maio de 2010

Lago do parque Ibirapuera, em SP, tem mais lodo do que água

Odor às vezes ruim. Um certo aspecto de sujeira muitas vezes por causa dos próprios usuários. No caso da maioria dos lagos paulistanos, como é o exemplo do Ibirapuera, as aparências não enganam.

A qualidade da água dos quatro lagos do local, em 2009, ficou entre regular e ruim durante 70% do tempo. Há alguns anos, ela já esteve pior.

Relatório da prefeitura que avaliou os parques públicos da cidade mostra que, na média, essa mesma marca ocorreu em todos os 15 parques da capital que foram analisados.

Por causa do lixo, o lago principal do Ibirapuera está com apenas 30 cm de profundidade, em vez de 2,5 metros. No total, são 84 mil m3 de resíduos e lodo dentro dos lagos, que deverão ser removidos.

O lago da Aclimação, que foi pelo ralo após uma tempestade no bairro, continua em condições precárias. Só agora é que a Secretaria de Obras contratou um projeto para o novo vertedouro –o antigo foi destruído. Existe ainda um depósito de lodo no local.

Uma exceção é o parque do Carmo. Segundo a prefeitura, a contaminação que existe no local é fruto do próprio cocô das aves que vivem por lá.

Os dados tabulados a pedido da Secretaria do Verde e Meio Ambiente referem-se a um índice usado para medir a potabilidade da água.

Como ninguém mergulha nos reservatórios do Ibirapuera ou da Aclimação, por exemplo, a avaliação é mais relevante para saber até que ponto a biodiversidade do local –além de peixes, existem aves e outros grupos– está sob ameaça.

O resultado, principalmente quando é considerado a quantidade de oxigênio dissolvido na água, também preocupa, dizem especialistas ouvidos pela Folha. Da forma como está hoje, são principalmente espécies exóticas, como tilápias e carpas, que conseguem sobreviver nos lagos de São Paulo.

“Será que a sociedade está disposta a pagar mais para ter um lago com espécies mais sensíveis ou nativas? Ou para ter água potável? Os lagos cumprem com as suas finalidades paisagísticas. Nós não temos mortandade de peixes”, afirma Hélio Neves, secretário-adjunto do Verde e Meio Ambiente.

Segundo diz, “essas análises têm objetivo de sinalizar, alertar, caso haja necessidade de uma intervenção ambiental”.

Segundo o secretário-adjunto, que considera a situação “boa” dos lagos da cidade, ainda “é possível melhorar”.

Os locais têm sido limpos com frequência, diz a secretaria, e a vegetação que fica nas bordas dos lagos, por exemplo, está sendo refeita.

Rãs, sapos e pererecas

Para saber até que o ponto um lago está em boas condições, muitas vezes, não adianta olhar só para dentro dele. “Os anfíbios são bons indicadores de qualidade”, diz Malu Ribeiro, coordenadora de projetos da ONG SOS Mata Atlântica.

No caso de São Paulo, a depender dos dados do relatório da estatal, quem quiser procurar por esses bichos, e por um ambiente mais equilibrado do ponto de vista ecológico, deve ir ao parque Alfredo Volpi, na zona sul, por exemplo.

“A condição de aceitável [ou regular, segundo o estudo], não dá subsídios para que exista um equilíbrio pleno da biodiversidade”, diz a ambientalista, especialista em recursos hídricos.

Lagos em condições desfavoráveis, diz Ribeiro, atrapalham não apenas os peixes. “Mas as aves e os outros animais, como os anfíbios”, afirma.

Um grande problema paulistano é a chamada poluição difusa. “O cigarro, o entulho, o lixo
em geral que é jogado na cidade e que vai chegar aos lagos. Uma coleta seletiva mais eficaz, por exemplo, melhoraria isso”.
(Fonte: Folha Online)

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