terça-feira, 25 de maio de 2010

Não, não mesmo

Artigo de José Otávio Meira Lins.

Não é de agora a mania do brasileiro de metrificar, descrever, classificar tudo. É o velho ranço das Ordenações Filipinas e Manuelinas dos nossos colonizadores.Com a nossa formação jurídica – e formação das boas – na Faculdade de Direito do Recife e pós na PUC de São Paulo, aliada a uma vida empresarial de mais de 25 anos como hoteleiro, somos obrigados a enxergar a polêmica da classificação dos meios de hospedagem pelo menos sobre dois focos.

Pelo empresarial, temos que ser contra, absolutamente contra. Não é sem motivo. Primeiro, fomos responsáveis - junto com Ronaldo do Monte Rosas da Embratur - pelo fim da antiga/arcaica classificação, pela grande desburocratização do setor e pela modernização do turismo (fim da famigerada classificação hoteleira/a concessão de cartão de crédito internacional para os brasileiros/ a revogação da antiquada “Lei de Cabotagem” e uma centena de outras leis e portarias de uma época totalitária).

E mais, não é nada moderna, é muito da antiquada, essa idéia de ressuscitar a classificação, os países desenvolvidos não classificam seus meios de hospedagem, estamos há décadas sem a dita classificação e nenhuma tragédia mercadológica ocorreu.

A classificação acabou ninguém deu por falta dela, passamos pela globalização já sem ela, entramos na era da internet plena sem ela.

Não venham nos dizer que estamos ressuscitando a ultrapassada era do “laissez-faire” – capitalismo selvagem – do exercício da atividade empresarial sem limites ou compromissos.

O nosso setor já tem órgãos fiscalizadores demais em sua cola e taxas demais para pagar: Procons; Anvisas; Vigilâncias Sanitárias; Prefeituras; Companhias de energia elétrica, águas e esgoto; empresas de controle da poluição e meio-ambiente; Corpos de Bombeiros; Ecades; Receitas Federal, Estadual e Municipal; Limpezas Urbanas; Ministérios Públicos Estaduais e Federais, do Trabalho; etc...; e põe etc... Sem falar no “Código do Consumidor” que permite que um cliente que se hospedou em um hotel do Pará proponha sua ação na sua comarca no Rio Grande do Sul e caiba ao hotel gastar fortunas em sua defesa, enviando advogado e um preposto para fazer, algumas vezes, acordos irrisórios.

O pior é que essa nova classificação, com uma matriz de DNA puramente brasileira – alardeada como gestada da melhor forma democrática como nunca feita na história do turismo deste país – será em decorrência deste puro sangue nacional, incapaz de ser identificada pelo turista internacional. Nossas estrelas terão um DNA exclusivamente caboclo.

Dizer que é difícil, quase impossível, fazer uma matriz eficiente que se adéqüe a um país continental como o nosso; é batido demais. Que as estrelinhas e uma matriz engessada vão gerar no consumidor uma falsa expectativa que pode ser inibida com o simples uso dos meios modernos de informação, é conversa de quem é só do contra.

Veja na integra: Revista Hoteis

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