terça-feira, 26 de outubro de 2010

Turismo médico no Brasil em plena praia

Os ventos estão de feição para a hotelaria portuguesa no Brasil. A Vila Galé inaugura esta semana um 'resort' no estado do Ceará, que abriu ao público a 5 de outubro. Para o grupo português, esta unidade vem elevar a sua oferta no Brasil a seis hotéis, totalizando 4590 camas. "Passámos a ser a primeira cadeia no Brasil em resorts", salienta Jorge Rebelo de Almeida, presidente do grupo Vila Galé.

O Vila Galé Cumbuco integra 465 chalés, cinco restaurantes, centro de congressos

Os serviços médicos são uma das novidades do Vila Galé Cumbuco. O Spa do hotel está equipado para consultas de cardiologia, odontologia, dermatologia ou cirurgia estética, permitindo fazer desde análises clínicas e radiografias a tratamentos de fisioterapia, para deixar de fumar ou perder peso.

"É possível fazer um 'check-up' completo durante as férias, em traje de banho, sem a carga de ter de ir a um hospital", nota Rebelo de Almeida. "Há muito que tinha o desejo de cruzar saúde com turismo", refere o empresário, que espera replicar este conceito num hotel em Sintra, projeto que está "encalhado há vários anos".

Empreendimento de luxo

Além do Spa, o Vila Galé Cumbuco integra 465 chalés, cinco restaurantes, centro de congressos, campos de ténis, centro de desportos náuticos, discoteca, entre várias outras infraestruturas. "É um hotel muito virado para o cliente brasileiro", frisa Rebelo de Almeida. Mas é apenas o início de um empreendimento mais vasto planeado para aquela área com 479 hectares e 2,3 quilómetros de frente de praia, a desenvolver pela sociedade VG Cintra Cumbuco. A Vila Galé detém aqui participação maioritária (75%), tendo como parceiros a construtora portuguesa Cintra e o empresário brasileiro João Bosco. "A nossa ideia é ter ali três grandes hotéis, além de um campo de golfe e um hotel-boutique", revela o líder da Vila Galé.

Em janeiro de 2011, o grupo português vai lançar no Cumbuco um condomínio de apartamentos com serviços hoteleiros - o VG Residence -, prevendo estender a marca a outras localizações. "O Brasil vive uma euforia no imobiliário, em contraste com o que se passa em Portugal e no resto do mundo", explica Rebelo de Almeida. "A vantagem de entrar no Brasil com imobiliário é rentabilizar os investimentos hoteleiros, que são de difícil e sofrido retorno".

Hóteis low cost

Em 2011, o grupo também projeta lançar no Brasil uma rede de hotéis a baixo custo, sob a marca VG Express. Serão hotéis urbanos, sem frigobar ou serviço de quartos, mas com televisões LCD, Internet gratuita e em cima de uma loja tipo Fnac, com cafetaria a funcionar 24 horas e onde serão servidos os pequenos-almoços dos hóspedes. "No Brasil, há um espaço tremendo para este produto", salienta o hoteleiro. "Começamos com um hotel em Fortaleza, não entramos em megalomanias. Mas será uma marca para crescer".

O Brasil, que vive uma vaga de otimismo reforçada pela perspetiva do Mundial de Futebol em 2014, está a ajudar a Vila Galé a compensar as quebras em Portugal. Com vários projetos em carteira a nível nacional, o grupo não tem pressa em avançar, concentrando no Brasil os esforços de expansão. "Em Portugal, está tudo muito seco", sustenta Rebelo de Almeida. "E, no Brasil, há um milhão de oportunidades. Hoje, é indiscutivelmente um país onde vale a pena empresas portuguesas apostarem, e não só no turismo".

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