quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Turismo rural cresce no país, mas ainda enfrenta desafios

Algumas pessoas estão trocando os shoppings, nos finais de semana por passeios em fazendas



Em busca de sossego e qualidade de vida, algumas pessoas estão trocando os shoppings, nos finais de semana por passeios em fazendas. É o turismo rural, que cresce no Brasil, mas ainda enfrenta desafios para se desenvolver e atrair mais público.

Casa Kruger - Joinville

A fazenda de Maria Inês Vianna, construída no século XIX, foi cenário de um importante período da história. Ela recebeu uma missão chefiada pelo astrônomo Luiz Cruls, que veio à região demarcar a área da futura capital do Brasil. A arquitetura e a decoração mostram nos detalhes um pouco da história do Centro-oeste brasileiro.
O ambiente rústico, mantido com cuidado, é o que atrai turistas e faz o negócio de Maria Inês prosperar. Já são seis os funcionários que têm na atividade a única fonte de renda. Os agricultores da vizinhança também estão sendo beneficiados: o que produzem abastece a fazenda.
– A gente acaba se transformando num ponto de venda para esses produtos que estão no entorno – diz a proprietária,.
A gastronomia é outro atrativo nas áreas rurais. Em um restaurante da região, leitão à pururuca é o mais pedido dos pratos típicos da cozinha mineira.
O visitante pode ainda conhecer o sistema de produção: da horta até os criatórios dos animais.
– Você não acha esse produto no mercado, porque é feito para o meu cliente – diz a proprietária do restaurante, Carminha Bravo.
O problema, no entanto, tem sido crescer. Quem investe no turismo rural reclama da falta de uma legislação específica e dos altos encargos para a contratação de funcionários.
– Nós temos os nossos empregados que são do campo e trabalham, na semana, na parte de criação. No fim de semana, trabalham como garçom, na cozinha. Isso pela lei não é possível. O garçom é registrado como funcionário urbano e não rural – explica Carminha.
O Ministério do Turismo reconhece os problemas.
– Nós estamos atentos a isso, trabalhando junto, apoiando aprovações de leis no Congresso, tentando beneficiar esses pequenos empresários como os grandes empresários – promete o coordenador-geral de Segmentação do Departamento de Estruturação, Articulação e Ordenamento Turístico do Ministério do Turismo, Wilken Souto.
A professora de Hotelaria e Turismo da UnB Ariadne Bittencourt lembra ainda que a atividade precisa se qualificar. Em boa parte das fazendas, por exemplo, o turista passa apenas o dia, porque não tem onde dormir.
– Isso envolve trabalhar a estruturação da área de hospedagem tanto para o espaço urbano quanto para o rural. Quer dizer, focar na área de hospedagem, trabalhar procedimentos, criar condições para que você tenha elevado a qualidade da prestação do serviço – defende Ariadne.
Criatividade também ajuda. Para divulgar a região do Distrito Federal, 14 propriedades criaram o Festival do Turismo Rural e Ecológico, com um roteiro que inclui desde shows até cavalgadas. Os empresários estão de olho é nos turistas que devem chegar com a Copa de 2014.
– O turismo rural vai ser uma opção também para que as pessoas ampliem a hospedagem e diversifique a opção de lazer que o turista vai ter aqui – avalia Maria Inês, que também é presidente do Sindicato de Turismo Rural do DF.
O Festival vai até 9 de novembro no Distrito Federal. Mais informações você encontra no site do evento.

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