quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Sem Copa do Mundo, Santa Catarina deixará de receber R$ 720 milhões

Cinco das 17 cidades que se candidataram, cinco ficaram de fora, entre elas a Capital


Dezessete cidades se candidataram para sediar a Copa do Mundo de 2014. Doze foram escolhidas e cinco ficaram de fora, entre elas Florianópolis. Calculando investimentos diretos e indiretos em diferentes campos - que vão de obras de infraestrutura até gastos com publicidade e telecomunicações -, a economia brasileira receberá uma injeção poderosa de R$ 201,2 bilhões até a bola rolar de fato.


Santa Catarina praticamente não partilhará deste bolo. Perderá uma chance de ouro de resolver gargalos crônicos de infraestrutura, tão urgentes para o crescimento do Estado, já que estará no final da fila na hora de definir investimentos públicos. Também não terá prioridade em linhas de crédito barato que BNDES e outras instituições financeiras oferecerão às 12 cidades escolhidas. A lista de oportunidades que terá acesso restrito inclui geração de empregos, cursos de capacitação, obras turísticas e novos negócios. Erguida a taça de campeão do mundo, a população de Florianópolis não poderá se beneficiar do mesmo legado deixado em outras capitais.

O montante de investimentos diretos em cada cidade-sede é varíavel: começa nos R$ 720,2 milhões de Curitiba e vai até R$ 5,5 bilhões para São Paulo. Se tivesse levado a cota mínima, Florianópolis receberia o equivalente à metade de todo o seu orçamento para 2011 apenas para resolver os maiores desafios para a sua expansão sustentável nos próximos anos. Decepção maior, só se a Seleção Brasileira não conquistar o hexacampeonato.

SEGURANÇA
O estudo da Ernst & Young e da FGV estima em R$ 1,70 bilhão a cifra investida em infraestrutura de segurança e no treinamento de forças policiais especialmente para a Copa. Entram neste pacote gastos com veículos e aeronaves, sistemas de comunicação e tecnologia, armamentos e outros custos necessários para tornar a força policial preparada para um evento internacional deste porte. Durante a Copa, será necessário o reforço de 78 mil policiais nas 12 cidades-sede. Para pagar salários, deslocamentos, alimentação e demais custos básicos deste efetivo, terão de ser aplicados pelo menos R$ 327 milhões. Indiretamente, a estrutura de segurança da Copa será beneficiada pelos R$ 3,2 bilhões incluídos no PAC 2 para o Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci).

ESTÁDIOS
A adequação dos 12 estádios da Copa de 2014 aos rígidos padrões da Fifa exigirá um investimento de R$ 7,18 bilhões, entre reforma e construção. Deste total, R$ 6,4 bilhões estão garantidos pelo BNDES. Os projetos vão de R$ 339,3 milhões, programados para a reforma do estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, ao orçamento de R$ 987,4 milhões para a reforma do Maracanã, no Rio de Janeiro. Cada estádio poderá receber de três a cinco jogos no torneio, oferecendo, no mínimo, 40 mil assentos para o público. Serão construídos estádios novos nas cidades de Natal (RN), Recife (PE) e Salvador (BA). O mais caro deles, no papel, é o Cidade das Dunas, em Natal, que custará R$ 758,6 milhões, o que representa impacto de 7,1% no PIB municipal.

NEGÓCIOS
Além dos investimentos diretos em obras de infraestrutura e nos estádios, a Copa 2014 deve injetar pelo menos R$ 112,79 bilhões na produção nacional de bens e serviços, segundo o estudo Ernst & Young e FGV. Estima-se que serão gerados 3,63 milhões de empregos temporários no país anualmente até 2014 apenas por conta do aumento de demanda e consumo ligados ao evento. A construção civil deve abocanhar R$ 8,14 bilhões do bolo total. Focado nas oportunidades que a competição poderá trazer para as micro e pequenas empresas, o Sebrae nacional planeja investir R$ 50 milhões na capacitação, desenvolvimento de negócios e mapeamento de oportunidades nas diferentes cidades que receberão a Copa. Em Porto Alegre, por exemplo, serão realizados seminários temáticos a partir de janeiro.

EDUCAÇÃO
A capacitação de profissionais para atender turistas estrangeiros é um dos grandes desafios da Copa do Mundo no Brasil. Qualidade no atendimento e o domínio de outras línguas serão o foco de programas de capacitação desenvolvidos por governos municipais e estaduais. O projeto Bem Receber Copa, do Ministério do Turismo, com gastos projetados de R$ 440 milhões até 2014, tem como objetivo qualificar o trade turístico nas 12 cidades-sede. Terão acesso a uma gama de cursos, entre eles o de idiomas Olá, Turista!, trabalhadores e empresários dos segmentos de alimentação, hospedagem, receptivo, segurança e serviços.

TELECOM
O Plano Nacional de Banda Larga prevê investimentos de pelo menos R$ 49 bilhões, via iniciativa privada e BNDES, para viabilizar a meta de 90 milhões de acessos à internet rápida em 2014. A Copa também tem verbas para a construção de international media centers (centros internacionais de transmissão de dados) nas 12 cidades-sede. Eles transmitirão informações sobre os jogos para o International Broadcast Center (IBC), um centro mais complexo, que exigirá cerca de R$ 184,5 milhões.

TURISMO
Apenas no ano da Copa, o fluxo turístico no país pode crescer até 79%. Para atender a toda esta demanda, será necessária a construção de 62,4 mil unidades habitacionais no setor hoteleiro nas 12 cidades-sede. Menos de um terço dessas novas unidades tem recursos garantidos para sair do papel. São R$ 3,16 bilhões, sendo R$ 2 bilhões do BNDES. As cidades com melhor infraestrutura hoteleira são Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo. Ainda assim, o crescimento da oferta seria insuficiente nestas capitais. A Copa deverá ter parte da demanda absorvida por alternativas, como o aluguel de apartamentos por temporada, a acomodação em cidades próximas e até mesmo a utilização de navios de cruzeiro ociosos, como foi feito durante as Olimpíadas de Atenas, em 2004. Algumas cidades estão trabalhando em projetos turísticos ambiciosos, de olho nos visitantes da Copa. Fortaleza investirá R$ 250 milhões na construção do Acquário Ceará, financiado por um banco de fomento americano (Ex-Im Bank), com contrapartida do governo estadual. O projeto lembra muito L'Oceanogràfic, na cidade espanhola de Valência, o maior aquário da Europa. O Rio deve ganhar o Museu do Amanhã, do arquiteto espanhol Santiago Calatrava, na zona portuária. Orçado em R$ 130 milhões, terá 12,5 mil m2 - metade deste espaço destinado a exposições - com a proposta de unir tecnologia, ciência e conhecimento.

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