sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Para especialistas, Projeto Nova Luz visa a retirar pobres do centro de São Paulo

O Projeto da Nova Luz, proposta da prefeitura de São Paulo para revitalizar a área conhecida como Cracolândia, é mais uma tentativa de expulsar a população pobre do centro da cidade, segundo a arquiteta Diana Helene Ramos. A pesquisadora desenvolveu sua tese de mestrado na Universidade de São Paulo (USP) sobre a luta por moradia no centro da cidade.

A proposta, que será submetida a uma consulta pública na noite de hoje (14), prevê a remodelação das ruas no entorno da Estação da Luz, com um número expressivo de demolições em uma área de 45 quarteirões. Muitos dos imóveis da região estão abandonados ou deteriorados. A falta de ocupação tem propiciado o uso e tráfico do crack na área.

Na avaliação de Diana, o projeto urbanístico que foi apresentado tem como principal objetivo a “revalorização econômica” dos imóveis e não a recuperação do bairro. “Está mais voltado para os proprietários e investimentos econômicos de grande porte”.

Apesar de estarem previstas 2.260 moradias de interesse social entre as 11 mil que devem ser construídas com implementação do Nova Luz, o representante do Movimento de Moradia Região Centro (MMRC), Nelson Cruz da Souza, também é contrário ao projeto. “Faz parte da operação higienista de acabar com os pobres no centro”, afirma.

Além de dar espaço para os novos investimentos, as demolições são uma forma, de acordo com Diana, de apagar a memória de uma região central marcada pelas desigualdades sociais. “[A demolição] não é só material, mas simbólica de desconstrução desse centro que foi tomado pelas classes populares”.

A prefeitura, no entanto, afirma que a maior parte das intervenções previstas visa a propiciar o aumento do número de moradores na área e potencializar o incremento das atividades econômicas com geração de empregos.

De acordo com a administração municipal, está prevista ainda a recuperação de patrimônios históricos, culturais e artísticos como forma de promover o desenvolvimento social e modificar a imagem negativa, atraindo novos freqüentadores e empreendedores.


Daniel Mello
Da Agência Brasil
Em São Paulo

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