quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Seguros viagem, residencial e para hotéis são apostas para corretores

Mesmo depois do período de festas, muitas pessoas aproveitam o começo do ano para sair em férias. Preocupações com eventuais problemas durante o período de ausência, seja em casa ou durante a viagem, podem ser minimizadas com as diversas soluções oferecidas pelo mercado de seguros. O aumento de demanda, inclusive, por parte da rede hoteleira tem feito com que as seguradoras invistam cada vez mais neste mercado. (SEGS)

No acumulado de janeiro a setembro de 2010, a carteira de seguro turístico apresentou salto de cerca de 141%, passando de R$ 11 milhões em prêmios no mesmo intervalo de 2009 para quase R$ 27 milhões no ano passado. "Sofrer um acidente ou mal súbito poderia estragar as férias de qualquer um e se isto acontecer fora do Brasil, certamente o transtorno será ainda maior, pois além de não saber a quem recorrer, o turista terá se dominar o idioma utilizado no local da ocorrência, sem falar ainda dos custos associados ao tratamento, cujo bolso do viajante nem sem sempre 'consegue' arcar com gastos inesperados", justifica Marco Aurélio Garutti Araujo, Underwriting Manager da Ace Seguradora.


Nos últimos meses, cinco companhias lançaram novos produtos, coberturas e serviços ou os repaginaram para se diferenciar da concorrência. Uma delas foi a SulAmérica. Nos próximos 2 anos, a companhia espera vender pelo menos 100 mil apólices e faturar R$ 10 milhões neste segmento.

Outra companhia que apostou suas fichas no aumento de viajantes foi a Porto Seguro. O produto lançado pela seguradora garante desde assistências médica, odontológica e farmacêutica, até orientação em perda de documentos, localização de bagagens, entre outras coberturas. Também atende às normas estabelecidas por alguns países estrangeiros quanto à necessidade de garantias para viagens a seus territórios, como as nações da Comunidade Europeia, por meio do Tratado de Schengen. Trata-se de uma garantia exigida em 15 países da Europa, na qual os turistas são obrigados a adquirirem uma assistência à viagem com o valor mínimo de 30 euros para ingresso em suas fronteiras.

A Ace, que já investe há algum tempo neste segmento, desenvolveu um produto de Acidentes Pessoais específico para passageiros do transporte aéreo. O Viagem Classe A oferece coberturas para morte acidental e invalidez permanente ocorridas em acidentes aéreos, com valores de indenização nas opções de R$ 500 mil e R$ 1 milhão. Conforme Anac, de janeiro a outubro de 2010 foram registrados 75 acidentes aeronáuticos, envolvendo aviões e helicópteros. Desenhada para viajantes frequentes, tais como empresários e executivos, a apólice da Ace pode ser contratada por um período mensal ou anual.

Os bancos não ficaram atrás e também já ofertam produtos para o setor de turismo. Recentemente, o Itaú Personnalité criou o Proteção Viagem Personnalité, um seguro que garante ao viajante indenizações, reembolsos, assistências e uma central de serviços exclusiva, que dá orientações e soluções a problemas. "A possibilidade de pedir reembolso é uma vantagem para o segurado, que tem mais comodidade e liberdade na hora de escolher onde vai ser atendido", avalia Luiz Butori, diretor de Pessoa Física da Itaú Seguros.

Já a Caixa Seguros investiu no MundiSegur Viagem, um produto que fornece a prestação de serviços de assistências emergenciais em viagens pelos cinco continentes. O seguro conta com as coberturas tradicionais de morte e invalidez permanente e um pacote de serviços disponível 24 horas, todos os dias da semana. Os turistas também podem solicitar auxílio para despesas por atraso ou cancelamento de voo e passagem de regresso ao país de origem, sem custo, em caso de morte do cônjuge.

Seguro residencial

O momento também é oportuno para falar sobre seguro residencial, pois é durante as férias que a carteira registra uma variação positiva. Segundo Paulo Umeki, diretor de Produtos de Ramos Elementares da Liberty, a companhia costuma notar um acréscimo nas vendas entre os meses de dezembro e janeiro que varia de 5% a 10%.

O executivo acredita que o aumento se deve principalmente às instabilidades climáticas, como vendavais, raios e chuvas de granizo, que são comuns no verão. "As pessoas veem os estragos que podem acontecer e se lembram de procurar o seguro residencial", comenta Umeki. No caso da Liberty, o produto Residencial oferece algumas coberturas adicionais, como por exemplo, o pagamento de indenização de antenas e aquecedores solares (nas garantias de vendaval, furacão, ciclone, tornado, granizo e fumaça).

Outra seguradora que nota uma expansão no volume de contratações nessa época é a RSA Seguros. As vendas chegam a crescer, em média, 60% entre dezembro e janeiro em comparação com os outros meses do ano, conforme explica a superintendente de Property da companhia, Ana Carolina Mello. Ela comenta que as pessoas costumam ter a percepção de que o risco é maior nesse período, tanto em relação a assaltos quanto em relação aos problemas causados pelas chuvas.

O segurado Maurício Moller Ernesto, que atua na área de Tecnologia da Informação, tem seguro residencial há 6 anos e em suas três propriedades: sua casa em São Paulo, no litoral e no interior paulista. Ele considera interessante a oferta das assistências e conta que costuma utilizar o serviço para consertar eletrodomésticos. "No último feriado que teve no mês de novembro, eu cheguei em São Paulo e a casa estava arrombada. Liguei para a seguradora e na hora eles foram trocar a fechadura, que estava danificada", conta.

Para o superintendente de seguros patrimoniais da Allianz Seguros, Rafael Rodrigues, o pacote de assistências pode ser uma boa forma para o corretor apresentar este produto ao consumidor. "O comprador que não conhece as vantagens do seguro passa a saber e se interessa por outros fatores também, como o preço, que é bem mais em conta do que um seguro de automóvel, por exemplo", observa.

Segundo o executivo, a procura aumentou em cidades como Porto Alegre, Curitiba e Fortaleza e o segmento deve ter um incremento de cerca de 16% este ano. "Hoje, a Allianz tem 160 mil apólices de seguro residencial. E a expectativa é dobrar a carteira em 4 anos", calcula Rodrigues.

Outro público que passou a notar o seguro residencial é a classe C, que passou a ter maior acesso ao crédito. De olho nesse mercado, algumas seguradoras desenvolveram produtos menos complexos. Rafael Rodrigues conta que a Allianz tem, desde 2009, planos pré-moldados que consideram essa faixa da população e cobrem imóveis entre R$ 100 mil e R$ 200 mil. "Reduzimos também o custo e tornamos mais fácil o entendimento do cliente, excluindo o 'segurês' da apólice e facilitando a contratação", comenta.

Hotéis e pousadas

Na tentativa de garantir a tranquilidade e segurança dos turistas, hotéis e pousadas têm recorrido às diversas opções de proteção disponibilizadas pelo mercado segurador. Isso porque qualquer dano que aconteça aos viajantes, até mesmo durante passeios, cuja contratação foi feita ao redor do estabelecimento, é responsabilidade do hoteleiro.

O aumento da demanda fez com que o seguro destinado a este segmento que, antes fazia parte das soluções da carteira empresarial, passasse a ser feito sob medida. Como este setor possui características bem segmentadas, as companhias passaram a enxergar oportunidades em apólices voltadas para o setor de hotelaria. Foi o caso da Porto Seguro que, há 4 anos, decidiu investir numa solução personalizada. "É um mercado cada vez mais pulverizado, com a inauguração de novos hotéis, resorts e, inclusive, com investimento externo", avalia Marcelo Santana, coordenador de Ramos Elementares da Porto Seguro.

Com a realização da Copa, em 2014, e das Olimpíadas, em 2016, o Brasil ganha ainda mais evidência aos olhos do setor de turismo. Atenta não só a esta oportunidade, mas ao crescimento das viagens aéreas para várias regiões do Brasil, a Allianz Seguros lançou novas coberturas para o segmento hoteleiro. A partir de agora, os clientes estão garantidos para reclamações de eventos durante translado, excursões, roubo e furto qualificado dentro do cofre - inclusive despesas com a realização de novos documentos e danos causados da ingestão de comida e bebida no hotel. "Há grandes oportunidades com a Copa e Olimpíadas, mas nosso foco é também explorar a rede hoteleira do Nordeste", antecipa Edson Toguchi, Superintendente de Produtos Financeiros e Responsabilidade Civil da Allianz Seguros.[2]

Quem também passou a investir neste segmento foi a Capemisa que, recentemente, criou, em parceria com a rede Tropical Hotels e Resorts, um seguro de acidentes pessoais aos hóspedes. A apólice protege os turistas durante a estadia em quaisquer acontecimentos dentro ou fora do estabelecimento. "Desenvolvemos um produto sob medida para que o hóspede seja coberto durante a sua permanência para qualquer imprevisto. A parceria começou agora, mas as nossas expectativas são promissoras", resume Laerte Tavares, Diretor Comercial da Capemisa, sem revelar números.

Nenhum comentário:

Postar um comentário