sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Antigo Othon terá secretarias e túnel para a Prefeitura

Prédio ocupado mais de cinco décadas por hotel cinco-estrelas no centro será reformado e ganhará uma passagem subterrânea

Vazios desde 2008, os 24 andares do antigo Othon Palace Hotel, no centro de São Paulo, devem virar um anexo da Prefeitura. A administração municipal vai pagar R$ 141.341,48 para a Makhohl Arquitetura transformar um dos símbolos da hotelaria de luxo da capital paulista nas décadas de 1960 e 1970 em "escritórios de apoio técnico às secretarias diretamente ligadas ao gabinete" do prefeito Gilberto Kassab (DEM).

Segundo a Secretaria de Infraestrutura Urbana (Siurb), estão na lista as de Planejamento, Governo e Relações Governamentais. O prédio do antigo Othon fica na Rua Líbero Badaró, do outro lado da rua da sede do poder público municipal. Para "agilizar a movimentação de pessoas e processos", um túnel de 50 metros de comprimento será construído sob o pavimento, ligando os dois edifícios. A Prefeitura não definiu um prazo para a conclusão da obra, mas as plantas devem ser entregues em 90 dias.

A recepção e os 260 quartos do hotel estão vazios desde o fim de 2008, quando o Othon encerrou as atividades. Em 3 de fevereiro de 2009, o imóvel de 728 metros quadrados foi declarado de utilidade pública.

Os quatro elevadores sociais levam para cima e para baixo apenas dois vigias, que ainda prestam serviço para a rede de hotéis Othon. "Vez ou outra, entram engenheiros e arquitetos com pranchetas aqui. É o único movimento do hotel", conta um segurança que preferiu não ser identificado. As portas de entrada permanecem fechadas, com um aviso colado: "Malotes e água e luz, favor tocar a campainha."

Os quartos pequenos já não possuem carpete, camas ou lustres. Ficaram apenas as portas dos armários embutidos e, nos banheiros, as louças sanitárias e a banheira. Há muito pó.

Revitalização. Para o superintendente da Associação Viva o Centro , Marco Antônio Ramos de Almeida, a iniciativa da Prefeitura de ocupar o edifício tende a valorizar o centro. "O hotel já estava fechado e corria o risco de permanecer abandonado e ir se degradando ao longo dos anos, caso não houvesse essa iniciativa da administração municipal."

Almeida explica que a região central não é mais um polo hoteleiro da capital. "Seria difícil grandes redes de hospedagem investirem em uma reforma ampla, já que temos boas opções na Avenida Paulista, por exemplo, que fica perto do centro."

O processo de reocupação do centro por órgãos municipais começou em 2004, quando a sede da Prefeitura foi transferida do Palácio das Indústrias, no Parque d. Pedro II, para o Edifício Matarazzo, em uma ponta do Viaduto do Chá. Bem na frente do antigo Othon Palace.

PARA LEMBRAR

Sem hóspedes, hotel fechou as portas em 2008


O Othon Palace Hotel funcionou por 54 anos, mas sua época de ouro terminou mesmo na década de 1980, com a fuga dos hóspedes para outros endereços, como as Avenidas Paulista e Engenheiro Luís Carlos Berrini, na zona sul.

Inaugurado em 1954, durante as festas do IV Centenário da cidade, o hotel abrigava no último andar um dos mais luxuosos restaurantes da capital paulista, o Chalet Suisse - famoso tanto pelos fondues quanto pela vista para o Vale do Anhangabaú.

Na época de movimento mais intenso, chegou a receber chefes de Estado como Hailé Selassié (Etiópia), em 1960, e Elizabeth II, do Reino Unido, em 1968.

Mas as dificuldades econômicas trazidas pela mudança da preferência dos turistas foram aumentando. No fim de sua jornada, nos anos 2000, o hotel teve de cortar o preço da diária até que a operação não dava lucro. Em 2008, o hotel fechou as portas e a torre foi colocada à venda por R$ 25 milhões.

Do Estadão

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