terça-feira, 8 de março de 2011

Público nos blocos de rua do Rio cresce e dá fôlego ao turismo

Blocos passaram a ser aposta para atrair mais turistas

Com crescimento de público, os blocos de rua do Rio de Janeiro passaram a ser uma das maiores apostas para revigorar o turismo no Carnaval carioca, na opinião de especialistas ouvidos pela BBC Brasil.
Blocos passaram a ser aposta
para atrair mais turistas

Segundo previsão da Riotur, 3 milhões de foliões devem seguir os blocos que desfilam pelas ruas da cidade neste ano. São 500 mil pessoas a mais do que no ano passado.

“Quem não pode ir ao Sambódromo assistir aos desfiles se diverte no carnaval de rua. Isso atrai turistas que antes não vinham para a cidade, inclusive o turista de baixa renda”, aponta João Batista Ferreira Mello, professor de Geografia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e oferece roteiros de passeio para grupos de turistas no centro do Rio.

De acordo com Alfredo Lopes, da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, os blocos são um grande diferencial para o setor hoteleiro.

“O público nacional começa a vir para o pré-carnaval nas semanas anteriores, chegando de São Paulo, Minas, Espírito Santo. E o turista internacional acaba ficando mais tempo, porque não consegue voos muito próximos ao Carnaval”, conta.

“Além disso, antes ele só tinha a opção de ir ao Sambódromo de noite. Agora, pode ficar na folia o dia inteiro e desfrutar das carioquices com os locais”, diz Lopes.

Segurança

Neste ano, 424 blocos foram cadastrados na Prefeitura do Rio para desfilar antes, durante e depois do Carnaval. Apesar de o público esperado ser maior, o número de blocos é 10% menor do que em 2010.

O prefeito Eduardo Paes já avisou que o número não vai aumentar no Carnaval de 2012, permanecerá no mesmo patamar ou terá de diminuir ainda mais. “Ou vamos manter o mesmo número ou diminuí-lo”, afirmou Paes no início desta semana.

A preocupação é com a possibilidade de uma superlotação do Carnaval de rua da cidade, que não tem cobrança de entradas, cordões de isolamento nem abadás.

Os efeitos colaterais da folia nos blocos costumam ser problemas no trânsito e foliões urinando nas ruas, o que fez com que o número de banheiros químicos instalados próximos a eles fosse novamente aumentado neste ano: serão 13 mil, contra 4,2 mil no ano passado.


Há menos blocos na cidade, mas eles têm recebido mais pessoas

Alternativa

Para Rita Fernandes, presidente da Sebastiana (Associação Independente de Blocos da Zona Sul, Santa Teresa e Centro), o Carnaval de rua passou a atrair mais turistas do que o Sambódromo.
Há menos blocos na cidade,
mas eles têm recebido mais pessoas

“O Sambódromo não consegue comportar todo mundo, são 80 mil lugares, é caro... A maioria dos turistas vem para os blocos”, diz a responsável pela associação que reúne 12 blocos.

Rita afirma ainda que o cenário, hoje, é bem diferente de quando a associação foi criada, em 2000.

“Mudou demais. Saímos de um universo de 50 blocos para um de 500 blocos. Hoje está todo mundo botando o bloco na rua. E o que antes era uma brincadeira virou coisa séria. Temos que nos preocupar com segurança, trânsito, limpeza, porque somos responsáveis por isso.”


Nenhum comentário:

Postar um comentário