terça-feira, 19 de abril de 2011

Motéis viram solução-tampão e fazem a festa com o déficit de quartos de hotel no Rio

Os motéis do Rio de Janeiro arrumaram uma maneira de faturar com os Jogos Olímpicos de 2016. Como a cidade ainda sofre com a falta de quartos de hotéis para receber os turistas que assistirão às Olimpíadas, os "ninhos de amor" se transformam para receber os visitantes. Segundo a Associação dos Proprietários de Motéis do Rio, 30% deles já fizeram reformas para receber outro tipo de clientes.

O Serramar, na Barra, por exemplo, trocou o “m” de motel pelo “h” de hotel e redecorou 35 unidades, aproximadamente um terço da capacidade. No lugar de espelho no teto e cama redonda, duas camas de solteiro, uma escrivaninha e um armário. Além disso, o hotel construiu uma recepção e contratou novos funcionários para o contato direto com o cliente. Na semana passada, todos os quartos estão ocupados por participantes de uma feira de defesa e segurança que ocorre no Riocentro.

"Tivemos 100% de ocupação no Réveillon e no Carnaval", celebra Rodrigo Lucas, gerente de reservas do Serramar, ele próprio um dos funcionários contratados para nova fase do hotel. "Estamos de olho nos grandes eventos sediados na cidade. Já temos muitas reservas confirmadas para o Rock in Rio, em setembro. Até a Copa de 2014, pretendemos dobrar a nossa capacidade", completou.


O presidente do Comitê Organizador Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman anunciou que o Rio de Janeiro terá 34 mil quartos de hotel em 2016. O dossiê da candidatura carioca havia garantido 48 mil, contando, além dos hotéis, apart-hotéis, vilas olímpicas e até cabines de navios de cruzeiros.

A cidade hoje conta com 24.558 quartos. Para chegar a 34 mil, a Prefeitura lançou, em novembro do ano passado, um pacote incentivos fiscais. As medidas incluem a remissão de dívidas de IPTU e isenção deste imposto durante as obras, a redução do ISS e a isenção do ITBI, a taxa paga em operações de compra e venda de imóveis destinados à atividade hoteleira. Desde o anúncio do pacote, foi confirmada a construção de cinco novos hotéis que totalizam 1078 novos quartos.

Alguns desses projetos contam com o apoio do BNDES, que, através do Pro Copa Turismo, financia obras no setor com créditos de R$ 3 a 10 milhões. O programa conta com uma carteira de R$ 297,2 milhões, dos quais R$ 178,5 milhões já foram aprovados. Os recursos vão sendo liberados de acordo com o andamento das obras. Os juros praticados estão bem abaixo no mercado: de 6,9 a 8,8% ao ano, com prazos que podem chegar até 18 anos.

Os projetos aprovados e contratados até agora são a reforma do tradicional Hotel Glória (R$ 146,5 milhões) e a construção de duas unidades do Hotel Íbis, da rede Accor, em Botafogo (R$ 20,3 milhões) e em Copacabana (R$ 11,6 milhões). Os outros R$ 118,7 milhões da carteira do programa referem-se a pedidos ainda em análise.

"Do ponto de vista econômico, o Brasil vive um momento que favorece bastante os negócios, a hotelaria em particular e, em geral, o desenvolvimento das cidades. A elevação do PIB repercute diretamente sobre o aumento da demanda e favorece esse desenvolvimento", explica Felipe Boni, coordenador de Comunicação da Accor. No ano passado, a rede hoteleira francesa assinou 24 novos contratos no Brasil, com destaque para os cinco novos hotéis que estão sendo construídos no Rio de Janeiro.

"Se continuarmos no ritmo atual, ultrapassaremos facilmente a meta", explica o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih) no Rio, Alfredo Lopes. "Este ano, já teremos três mil novos quartos aguardando habite-se. A rede Windsor abriu uma nova unidade no Carnaval, com 540 quartos, e o Hotel Nacional está em reforma, com previsão de reabrir com outros 500."
Entretanto, como reconhece o próprio presidente da Abih, o problema de acomodação no Rio não se resolve só com a construção de novas unidades. "Com o crescimento acelerado da economia brasileira, há escassez de mão-de-obra em todos os setores, na hotelaria não seria diferente", explica Lopes. "A demanda por profissionais qualificados está aumentando no Rio. Vamos precisar de gente que esteja preparada para lidar com os turistas."

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