quarta-feira, 18 de maio de 2011

Chefe do FMI pagou US$ 3.000 em diária de hotel. É muito?

Para um executivo do porte de Dominique Strauss-Kahn, valor pode até ser considerado comum, mas, seguindo o padrão das empresas no Brasil, o luxo é exagerado

São Paulo – O quarto 2806 do hotel Sofitel, em Nova York, chamou a atenção por outro motivo além do fato de ter sido palco de uma suposta tentativa de estupro por parte do diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI) Dominique Strauss-Kahn contra uma camareira de 32 anos. Com uma antessala, sala de conferências, sala de estar, quarto e banheiro, o executivo francês pagou 3.000 dólares (quase 4.900 reais) de diária. Segundo a imprensa internacional, o FMI afirmou que a viagem à Nova York não foi feita a serviço e, por isso, Strauss-Kahn teve que arcar com as próprias despesas. Mesmo assim, nas ocasiões em que estava trabalhando, tudo era pago pelo fundo e sem economizar no luxo.

Apesar de receber um salário anual relativamente baixo, de 420.000 dólares, além da remuneração variável, Strauss-Kahn ganhava cerca de 75.000 dólares para manter um “padrão de vida adequado para trabalhar no fundo”. Em seu contrato, está definido que todas suas viagens a serviço devem ser feitas em primeira classe. Todo esse luxo está distante da realidade de muitas empresas no Brasil. De acordo com o executivo sênior de RH Werner Mitteregger, uma diária de 3.000 dólares em um hotel é um preço exorbitante, mesmo para os padrões de Nova York, cidade onde o setor hoteleiro tem preços altos em comparação com outros lugares dos Estados Unidos.

A média de pagamento de diárias em hotéis que as empresas costumam cobrir gira em torno de 300 a 400 dólares, um valor que garante conforto e o atendimento das necessidades para o executivo fazer bem seu trabalho. Nos aviões, a maioria costuma viajar de classe executiva. “Isso vale até para os presidentes-executivos de operações de multinacionais no Brasil, mas não significa que o presidente global dessas empresas não tenha o mesmo padrão do chefe do FMI. São liturgias do cargo”, afirma.

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