quinta-feira, 12 de maio de 2011

Com demanda, Brasil precisa triplicar número de aeroportos

FortalezaSão Paulo - O Brasil precisa sanar seus gargalos de infraestrutura de acolhimento turístico - que não são poucos. Segundo estudo da consultoria McKinsey, até 2030 será preciso triplicar a capacidade de nossos aeroportos - isto porque dos 155,36 milhões de passageiros que por eles transitaram em 2010, atingiremos na ocasião 300 milhões. Pior: faltando pouco mais de 3 anos para a Copa de 2014, das 12 cidades-sede sete ainda não começaram a reforma do seu sistema aeroportuário. A capital mais bem posicionada nesta corrida, Natal, cumpriu até o momento meros de 25% das obras de seu aeroporto.

O governo brasileiro projeta receber 8 milhões de turistas em 2016. "Este número não é extremamente ousado, se comparado ao de outros países tradicionalmente investidores em turismo. Punta del Este, no Uruguai, recebe mais que isso em um ano, e é uma única cidade", afirmou Calbert Martins Filho, secretário do Programa de Desenvolvimento do Turismo, órgão ligado ao ministério do setor, durante o 6º Adit Invest, evento do mercado imobiliário e do setor de turismo do País (o encontro foi promovido por: Associação para o Desenvolvimento Imobiliário e Turístico do Brasil, Apex Brasil, Ministério do Turismo e Governo do Estado do Ceará). De acordo com ele, o governo investirá R$ 400 milhões para a formação de profissionais que estejam aptos a receber os turistas. "Hoje, temos formados mais de 7 milhões de pessoas que trabalham com turismo, e iremos formar cerca de 360 mil para que fiquem aptos a receber as futuras demandas", afirmou.

Além desse valor, o ministério aplicou este ano um reforço de R$ 500 milhões no financiamento hoteleiro local. Com a medida, os recursos disponíveis atingem R$ 2,3 bilhões. "Este ano dispomos de R$ 1 bilhão provenientes do BNDES e R$ 1,3 bilhão vindos dos Fundos Constitucionais do Norte, Nordeste e Centro-Oeste para o turismo", afirmou Martins Filho, para quem a comunicação entre setor privado e público é um terreno complicado. "O mercado, sozinho, se engole. É necessário sempre um governo que consiga gerir, sem interferir, e é para isso que trabalhamos".

Prazos

"Eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, por si só, não podem ser considerados o maior atrativo para os investidores", afirmou o CEO da Associação para o Desenvolvimento Imobiliário e Turístico do Brasil (Adit Brasil), Luiz Henrique Lessa. "Agora o governo trabalha com prazos claros. Precisamos de infraestrutura, rodovias e aeroportos, e isto atrai todos os tipos de recursos."

Entre os principais investidores de olho no País, de acordo com Felipe Cavalcanti, COO da Adit, estão os espanhóis e os portugueses. "Eles estão investindo mais e mais no Brasil. Tudo isso, somado ao fato de haver uma crise na Europa, empurra os grandes players da área hoteleira para o País", afirmou.

E as empresas concordam. Este mês a Pestana e a Accor anunciaram interesse em aplicar recursos no mercado brasileiro. O CEO para a América Latina da Accor, Roland de Bonadona, afirmou que hotéis, assim como aeroportos, são considerados infraestrutura dos eventos esportivos que estão por vir. "Para nós as medidas do governo, de incentivo ao segmento de hotelaria, são muito importantes. Estamos ansiosos para instalar novos empreendimentos no Brasil", afirmou. Já o CEO para a América do Sul do Pestana Hotels e Resorts, Roberto Rotter, ressaltou que este é o momento oportuno para ampliar o numero de bandeiras da rede no País.

Quem também está prestes a fincar seus pés no Brasil é a americana Port Gali Hotelaria e Turismo. Com investimento de R$ 25 milhões na abertura do Best Western, em Porto de Galinhas, no Estado de Pernambuco, a rede entra no Brasil e constrói seu 2º hotel na América Latina. A expectativa do grupo é inaugurar o hotel na virada do ano de 2011 para 2012.

Já a Brazil Hospiyality Group (BHG) ampliou seus planos para o País. O grupo anunciou o projeto de 3 novos hotéis até 2013; em parceria com a Skipton, os empreendimentos serão construídos em Palmas (TO), que receberá dois hotéis, e em Maringá (PR).

Mas há também a preocupação de que tanta infraestrutura não fique ociosa após a Copa. Para tanto, de acordo com analistas, o ideal é aproveitar os eventos para, por exemplo, garantir a universalização do saneamento básico no Brasil (especialmente nas 12 cidades-sede e suas regiões metropolitanas); despoluir os ícones turísticos - rios, lagos e outros - de cada cidade-sede e deslanchar o processo de despoluição do litoral brasileiro; e orientar-se pela sustentabilidade nos investimentos em arenas, infraestrutura e outros empreendimentos voltados para a Copa, tendo como base as concepções dos projetos, abrangendo as diversas dimensões da intervenção sobre o meio ambiente, dentre outras medidas.

Via DCI

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