quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

O preço justo no turismo brasileiro



No dia 14 de fevereiro deste ano, o Mtur noticiou a seguinte matéria: Governo lança campanha pelo preço justo no turismo. Veja na integra no site:




As palavras do ministro do turismo a respeito foram:

“Entendemos que os turistas exercem um papel determinante quando privilegiam aqueles que cobram justamente e se recusam a pagar preços abusivos”, diz o ministro Gastão Vieira. “Da mesma forma, entendemos que os empresários que cobram valores adequados merecem visibilidade. É uma forma, portanto, de premiar quem joga a favor do turismo brasileiro”, afirma.

O mercado se regula por si isto é uma constante em gestão empresarial em países livres no ocidente logo o hóspede ou turista paga por aquilo que acha que deve pagar e os preços da hotelaria se regulam de acordo com a lei da oferta e da procura.



Dar visibilidade para uns e invisibilidade para outros é uma forma esdrúxula de administração pública, uma vez que todas as empresas e cidadão pagam o mesmo custo de tributação aqueles que não recebem a mesma visibilidade, seja por qual motivo for o detrimento fere a politica democrática em sua raiz uma vez que privilegia a uns em detrimento de outros não dando garantias de uma gestão pública de fato democrática, afinal de contas democracia é atender a todos, minorias ou maiorias sem exceções.



Voltando aos preços absurdos e impopulares, devemos nos lembrar de que a hotelaria paga o mesmo custo abusivo imposto pelo governo federal em sua tributação pra lá de absurda uma vez que em média a carga tributária Brasileira gira na casa dos 35% a 40% e são comparáveis a países como a Holanda e/ou Dinamarca, contudo o retorno que estes irmãos europeus dão a sociedade é muito acima da expectativa de qualquer cidadão brasileiro sobre o que recebemos aqui de retorno de uma carga tributária semelhante.



Falando de preços abusivos o que o Ministro se esquece de dizer é de que com a carga tributária existente e invejável até mesmo aos Norte Americanos pelo retorno que temos dos impostos que pagamos é que em terras tupiniquins pagamos duas vezes o que deveríamos pagar apenas uma, veja alguns exemplos:



Segurança

Vivemos num total estado de calamidade pública neste quesito e parece que estamos num país em guerra, há jornalistas europeus que indicam viagens para o Afeganistão antes de vir ao Brasil uma vez que nossas estatísticas policiais indicam quase 50 mil mortos por violência criminal ao ano no país enquanto que no Afeganistão durante 2 anos de guerra não se chegou a 30 mil mortos, logo os empresários brasileiros para garantirem a segurança de seus hóspedes, além de pagar os impostos absurdos que temos ainda devem contratar equipes de segurança para realizar aquilo que o estado não está fazendo, além de ter de contratar seguros exorbitantes para garantir pelo menos uma tranquilidade caso esta segurança chegue a falhar.



Saúde

Por mais que o SUS na capital paulistana chegue até dar um pouco de conforto neste quesito aos cidadãos deste município esta não é uma realidade geral em todo o país, contudo e mesmo com a eficiência do sistema nesta capital ainda assim os trabalhadores na hotelaria nãos e sentem satisfeitos com estes serviços prestados de forma pública, além do mais o SUS não dá atestado de trabalho, apenas a informação das horas gastas em seus ambulatórios e hospitais e dai provem os acordos sindicais entre a hotelaria e os trabalhadores em que devemos fornecer também planos de saúde o que acaba se transformando na duplicação do custo já que se paga pelo mesmo serviço tanto na forma da tributação que deveria dar este retorno, quanto na forma de contratação de empresas de saúde para que os colaboradores tenham pelo menos esta garantia.



Educação

Uma recente pesquisa nacional indicou que mais de 50% dos estudantes universitários, assim como sua contrapartida no mercado de trabalho tem uma deficiência em entendimento e compreensão que passou a se denominar de analfabetismo funcional, logo aqueles trabalhadores que recebemos na hotelaria, se não forem novamente ensinados a compreender o que se fala, lê e escreve não serão competentes em suas funções e confundirão “alhos com bugalhos” e este ensinamento pode levar até alguns anos o que eleva em muito os custos hoteleiros para que sejam eficientes e eficazes ao mesmo tempo, logo, a tributação que pagamos e que se vai ao sistema de ensino pode estar sendo triplicado uma vez que pais preocupados pagam até mesmo escolas particulares onde a mensalidades são mais caras que universidade e estas ainda assim não garantem que o individuo deixe de ser analfabeto funcional dessa forma pagamos impostos, pagamos as escolas e ainda pagamos tempo e treinamento para que nossos colaboradores desempenhem seus papeis de forma adequada dentro de nossos hotéis.



Obviamente que isto o ministro Gastão Vieira não menciona e alias nem sequer é de sua alçada uma vez que há ministros (mais de 30 no país) específicos para cada um dos exemplos aqui citados o que nos cabe a pergunta:



O que o ministério do turismo fez para que os outros ministérios envolvidos baixem estes custos e a hotelaria nacional tenha preços menores que os atuais?



Também cabe a pergunta: o que o ministério do turismo faz quando há um excedente de oferta na hotelaria e os preços ficam muito abaixo do mercado?



Podemos dar vários exemplos do que o Governo Federal faz em outros setores quando quer tornar os preços mais competitivos ou quando quer resgatar o mercado e isto está na memória do brasileiro com relação a bancos, com relação à indústria de grãos e com o petróleo, mas é obvio que a maioria não se atenta que o resgate dos bancos em momento de crise se deve a que os bancos estatais são responsáveis por mais de 80% da linha de crédito no país, que a indústria de grãos está nas mãos do governo com mais de 40% das terras cultiváveis e de que é o próprio governo que regula e administra a extração, produção e distribuição de petróleo.



O que de fato se nos apresenta com as publicações e ações do ministério do turismo em relação a hotelaria é uma ação contra os próprios empresários uma vez que ainda não são controlados pelo governo federal a exemplo dos setores que citei e de outros setores que já estão sob seu julgo, logo o que parece apenas uma demonstração de controle e melhoria de um setor é de fato sua incorporação aos mandos do governo nos moldes marxistas ditatoriais e para que tomemos alguma atitude a respeito devo lembrar as palavras de Aécio Neves:



“Ouso dizer que, nos 30 anos das Diretas-Já e nos quase 50 anos do golpe militar, mais do que nunca, precisamos estar vigilantes e mobilizados em defesa do Estado de direito. Em defesa do respeito às leis e às instituições. Só os valores democráticos são capazes de apontar o caminho a uma sociedade em crise de confiança, frustrada em seus sonhos e insegura com o seu futuro. E, principalmente, indignada com a realidade que vivencia” discorreu na Folha de São Paulo em seu artigo democracia no dia 17/02/2014.


Lembro aos meus leitores que não participo de nenhum partido ou que tenha tendências por algum partido ou políticas, apenas menciono as palavras destes pois cabem ou são contextuais aos meus argumentos.


Mario Cezar Nogales
Consultor Hoteleiro




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